quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Não me posso gabar de ter muitas visitas a este meu cantinho, mas as poucos que tenho, são do mais alto gabarito.
É quanto baste!

A minha cidade



Trabalho em Lisboa, saio em Lisboa, janto em Lisboa, estudei em Lisboa, muitos dos meus amigos estão em Lisboa.
Quando chegou a altura de me emancipar, fiz contas à vida e à qualidade de vida. Fiz contas ao dinheiro gasto, ao tempo gasto e ao desgaste.
Neste balanço pesa o coração e o meu não me permitiu essa "emigração".
Arrependo-me sempre que há um acidente na 2ª circular. Não me arrependo, todos os dias, ao final da tarde, quando regresso.
No meu regresso encontro um ar mais leve, o desconhecimento do conceito "falta de estacionamento", do conceito "stress", do conceito "transito".
Logo que estaciono, encontro a antiga colega de escola. Entro no prédio e encontro um ex-aluno dos meus pais.
Saio à rua e encontro a prima, a irmã da amiga, a mãe da colega.
Mais à frente, entro no café, onde todas as caras são conhecidas e, pelo menos, uma é querida.
Ainda nos conhecemos quase todos e ainda sentimos todas as dores. Como a menina que se esfaqueou e foi esfaqueada. Há sempre um elo... conhecia de vista, conhecia a irmã, conhecia os pais, conhecia o cunhado.. e todos sofremos um bocadinho a sua morte... e todos encontramos solidariedade nesse elo, que é muito forte, nem que se reflicta apenas nessa conterraneidade.
No meu regresso, sinto-me em casa, mesmo de antes de entrar na minha.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Gosto de ti, mas não gosto de ti #1

Entendes?
Gosto das tuas palavras que me aconchegam, gosto das nossas conversas tardias, gosto que gostes de mim.
Há muitas formas de gostar e, eu, gosto muito de ti. Simplesmente não gosto de ti dessa forma que me pedes para gostar. Estas coisas não se escolhem, saem-nos na rifa ou na farinha amparo e, a mim, calhou-me outro. E a ele, por sua vez, calhou outra. Há coincidências destas, umas felizes, outras infelizes.
Eu gostava de gostar de ti. Gosto do que fazes, do que vês, do que lês, do que ouves. O problema não está em ti, não está em mim, está em nós, que vivemos sempre tudo ao contrário.
Egoistamente, gosto que gostes de mim e faria tudo para não mudar isso. As tuas palavras aconchegam-me, o teu sorriso aquece-me, a tua voz embala-me. Não quero perder nada disso...
Há diferentes formas de gostar e eu queria que gostasses de mim de outra forma, mas tenho receio de o tentar alterar, porque tenho receio que, se esse teu gostar se desvanecer, não sobre outro...
Não gosto de ti, mas gosto muito de ti...
Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.
Fernando Pessoa

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Nuno Gomes



Diz-se que benfiquista que é benfiquista não gosta da Amelinha.

Eu gosto!

Não que eu seja a melhor pessoa para falar de futebol. Afinal de contas sou capaz de proezas como a de ir ver o Portugal-Rússia e em 8 golos (7-1), ver apenas 2 ou 3. Há tantas distracções num estádio, o que é que uma pessoa há de fazer... Ainda por cima, um dos meus amigos pertence ao Directivo e levava como missão fazer de nós, 10 gatos pingados, uma autêntica claque. E aquilo era giro!



Sei perfeitamente o que é um fora de jogo e tenho cá para mim, que essa é a melhor prova de que os árbitros são todos uns corruptos. Qual escutas ao Pinto da Costa, qual carapuça! Quando se está mesmo a ver aquilo é um fora de jogo, não assinalam e vice-versa! Nem importa qual é a equipa... O que prova que recebem e dos dois lados!



Voltando à Amelinha, eu gosto dela. Acho-a fofinha, com o seu cabelinho à menina e suas bandoletes.



Gosto da Amelinha, desde de que fui ver um jogo ao estádio, já há uns 2 ou 3 anos.

Sem condições para me concentrar no jogo, já que levava como companhia um gajo e já se sabe como eles são, não descansam até nos verem amuadas, os parvalhões!, estava completamente fascinada com o velho que se encontrava atrás de mim. Por sua vez, o velhote estava completamente fascinado com a Amelinha.

Era a Amelinha para cá, a Amelinha para lá. Não falava noutra coisa:



- Esta Amelinha não corre nada - e eu olhava e via-a o Nuno Gomes a correr! Ao seu ritmo, claro está, mas o rapaz até dava umas passadas;

- Esta Amelinha não faz nada - e fazia. Eu olhava e a Amelinha estava muito atarefada a ajeitar a bandolete;

- Esta Amelinha não joga - quando estava a Amelinha a fazer exactamente o que eu vejo todos os outros jogadores fazerem, e com muito primor, no chão, agarrado a uma das pernas, com ar de quem vai morrer e é já ali. Coitadinho, não fosse aquele spray maravilhoso que adorava saber onde vendem, capaz de curar as piores maleitas, e o rapaz já tinha quinado.



Até que, não faço ideia como, porque estava a olhar para o ecrã, com umas miudas gorduchitas a fazerem adeus, o Nuno Gomes marca o único golo do jogo!

Aí, o senhor levantou-se e com toda a sua força, gritou em plenos plumões:



- Viva a Amelinha!



E todo o estádio, lhe respondeu em uníssono:



- Viva! Viva!


Gajos#2

Porque é que se disser a um amigo "és Grande" de modo a resumir como tem uma grande inteligência, um grande sentido de humor, um grande coração, um grande profissionalismo, etc, etc, etc, a única coisa em que ele vai pensar, é no tamanho de uma sua parte anatómica, que a mim, pouco me interessa!

Sim, Pezinho, és grande! Independentemente do teu tamanho, peso ou do número que calças!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos."
Carlos Drummond de Andrade