sexta-feira, 30 de abril de 2010

Crónica - Linhas tortas


Pregam por aí que há um ser divino maior que todos. Omipotente, omnisciente e omnipresente. Que zela por nós, escreve certo por linhas tortas e que ao menino e ao borracho põe a mão por baixo.
Nunca acreditei em tamanha divindade. Simplesmente não me foi incutido na educação e aprendi a fazer valer-me por mim própria. Foi o que me ensinaram os meus pais e o que me provou a experiência. Nem agnóstica me considero, porque sei que, pura e simplesmente, não há prova possível. Acredito sim, nas leis da física, da química, na selecção natural e na teoria de Darwin.
Às vezes consigo perceber os outros e, ás vezes até, desejar tamanha fé. Compreendo que seja mais fácil, se acreditarmos, que alguém nos traça o caminho e que este terá sempre bom porto, independentemente dos seus obstáculos. Acredito que seja a forma de uns e outros se disciplinarem, de se sentirem merecedores daquilo ambicionam, desejam ou mesmo temem.
Mas aquilo que eu vejo é um omnisciente muito distraído, um omnipotente com pouca vontade, um omnipresente a dormir.
Aquilo que eu vejo é desequilíbrio, injustiça, fome, doença, guerra, pobreza. Não consigo acreditar que, existindo, esse Deus fosse capaz de tamanhas atrocidades. Que fosse capaz de de forma insistente dar aos fortes e tirar ao fracos. Dar aos ricos e tirar ao pobres. Dar aos saudáveis e tirar aos frágeis.
Não acredito num Deus tão injusto, com tamanho requinte de malvadez, com tamanha crueldade.
Acreditaria sim, se olhasse à minha volta e visse tudo aquilo que o John Lenon imaginou uma dia, se visse os bons serem recompensados, se os maus ou mal não existisse, se não ocorressem tamanhos desastres naturais, tamanhas doenças, tamanho sofrimento. se olhasse à minha volta e visse que há equilíbrio e paz.
Hoje, mas só hoje, vou tentar acreditar. Pura e simplesmente para poder ter a quem "pedir" que devolva a saúde a uma menina de 2 anos. Hoje acredito,que distraidamente retirou a tal mão por baixo, um erro quase humano, mas um erro.. Hoje vou acreditar na medicina, mas também nesse ser que dizem ser maior. Hoje vou acreditar para poder ter um culpado, capaz de remediar a situação. E de pedir desculpa. Hoje vou tentar, mesmo não percebendo o errado que escreveu em linhas tão certas.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Eu já sabia...


...exactamente, quais iriam ser os comentários ao meu post anterior. "ninguém é perfeito", "és demasiado exigente" bla bla bla
isto é como tudo, o peixe morre sempre pela boca e eu sei perfeitamente que, falo, falo e quando der por ela já estou a ter filhos de algum que seja TUDO aquilo que escrevi. Tudo junto, que é para aprender a estar caladinha. Ou então encalhadissima. Mais encalhada que o Tolan.
Mas, se querem que vos diga, antes encalhada que acomodada a algum trambolho, como muitas que vejo por aí.
Continuo a achar que temos que ser exigentes. Só assim um bocadinho. E ainda acredito que há ainda por aí algum espécimen que reuna esses atributos de que falo.. Que também queiram colinho, jogar playstation, etc etc etc... mas assim tudo a atirar para equilibradinho.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Eu matava por uns sapatinhos...


Não uns manolos, nem uns louboutin!
Só preciso que sejam o 34 em giro!
Fui abençoada com este pezinho de criança. Sandália que é bom, não há para mim.
I'm in deep pain...
Reiniciei a minha demanda bianual e a coisa, como já é habitual, está preta!

Até podia continuar a ajudar-vos, meninos desta vida

Podia, sim senhora. Também gosto de escrever sobre esse lindos disparates que essas lindas cabecinhas pensadoras se lembram. Mas depois lembro-me que, é injusto andar aqui a ajudar-vos, porque mesmo depois destas super valiosas dicas,  vocês conseguem ser todos, um a um, verdadeiros estafermos. Ou então sou eu que tenho muito azar. E há de todos os tipos, senão vejamos:


- o menino que só quer uma segunda mamã - e trata-nos precisamente dessa forma. Até pode ser um pouco mais rebelde e esquecer essa parte da mamã quando chega à parte do sexo, mas depois quer é colinho e que lhe façamos todas as vontades todas. Querem comida na mesa, roupa lavada, botões cozidos, meias dobradas.  Que lhes aturemos as birras e os amuos. Surpresas giras para nós, nada. Que uma mãe ama incondicionalmente o seu filhote e contenta-se com pouco, muito pouco. Não há pachorra. Pelo menos, no meu caso, o instinto maternal não chega a tanto.


- o menino hiper dependente - que não faz absolutamente mais nada que não seja mandar-nos mensagens e planear o próximo momento em que vai estar connosco. Implica com as nossas amigas e amua quando vamos sair com elas. Tenta mudar-nos à sua semelhança. Tenta influenciar o que vestimos. Tenta incutir-nos os seus gostos pessoais. Adora essa estúpida teoria de que duas pessoas apaixonadas são uma só. Cromo. Duas pessoas podem gostar muito uma da outra, ter objectivos em comum, interesses em comum, mas não deixam de ser nunca indivíduos independentes.


- o menino D. Juan - que sai connosco e mais trinta mil ou que só sai connosco mas tem a agenda com os contactos de todas as potenciais suplente, com as quais que vai mantendo contacto, just-in-case. Palhaço! Acho que nem preciso de mais comentários.


- o menino que está sempre em busca de novas emoções - e que se não conseguimos acompanhar, vai dando umas facadinhas para quebrar a rotina. Uma canseira para eles próprios (esconder uma facadinha é coisa que dá trabalho e requer criatividade) e uma dor de cabeça para nós.

- o menino que não sendo menino da mamã, não cresce - e é incapaz de largar a playstation ou o futebol ou o surf ou o poker ou o joguinho parvo que os amigos resolveram inventar. Não nos fazem companhia nenhuma e, alguns, ainda acham que não há nada mais interessante para nós, que passarmos uma tarde no guincho, a levar com o vento e os seus kilos de areia e a vê-los (se a areia deixar) no meio do mar em cima de uma tábua. Podemos estar a morrer e ligar a pedir boleia (e apoio, claro) até ao hospital e só o que respondem é "errr... hmmm... mas hoje a malta combinou ir a casa do Alfredo para uma partida de poker. Pode ficar para amanhã?"


Digam-me, onde estão os meninos-achados. Inteligentes, fiéis, independentes, carinhosos, estáveis, pacientes, maduros, compreensivos. Eu caso!
E, depois disso, até nem me importo de continuar a mandar estes bitaites.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Há dias assim


Há dias em que, por mais sol que faça lá fora, há nuvens alheias ao S. Pedro que nos atormentam.
Nesses dias, o melhor é ficar a pensar no fim-de-semana que se adivinha fantástico lá para o sul do país.
E a esperança que esse fim-de-semana seja suficiente para disfarçar aquilo que o meu médico chama de ter a circulação toda à superfície da pele. Ou seja, que me ajude a disfarçar esta transparência de pele com que fui abençoada.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ainda a saga sobre os encontros


É muito fácil vir práqui mandar bitaites, mas a verdade é que em todos os meus encontros, houve sempre coisas que gostei menos, coisas que gostei mais e nem por isso me recusei a segundo.
Houve apenas um que me deu vontade de fugir a sete pés. Um antigo colega da faculdade, que reencontrei através de uma dessas redes sociais ou messenger ou lá o que foi. Tenho pena de não ter escrito na altura tudo o que se passou, porque lembro-me bem que foi surreal.
De resto, a minha memória falha e só me consigo lembrar dos três aspectos que mais me marcaram.
O restaurante não era mau, mas também não era grande coisa. Um daqueles restaurantes com luz florescente de cozinha, que em nada ajuda a criar ambiente. Mas nem foi isso que me afastou. Quando chegou a altura de pagar, claro, o menino quis pagar a meias. Apesar de não achar a atitude mais arrebatadora do mundo, não teria tido problemas com isso, não fosse o menino esclarecer "eu até te pagava, mas nesta altura do mês não vai dar". Esta frase tornou um momento banal, no momento mais constrangedor do mundo. Não caiam nesse erro, se não estiverem numa boa fase financeira, convidem para um simples café. É mais em conta e pode ser igualmente agradável. Também não precisam de entrar em explicações. Convite para jantar não é obrigatório...
Depois fomos a um bar. Ele pediu um whisky e eu uma água. Já sabia com o que contar, mas achava que ele deveria ter, pelo menos, a gentileza de chamar o empregado e pedir a conta. Não sei que voltas ele deu, mas a verdade é que pagou o seu whisky sem que eu me apercebesse e acabou por vir o empregado avisar que faltava a minha água. Mais um momento constrangedor escusado.
Para finalizar a noite, já em casa, recebo a mensagem da praxe. Esta acho mandatória. Aqui sim, temos que agir que nem carneirinhos no mesmo trilho. É que se vocês não o fazem, os macaquinhos que temos já no sotão, entram em azáfama actividade. Mas por favor, não mandem nada como este rapazinho, cuja mensagem dizia algo parecido com: "Estou muito orgulhoso! Afinal, és mais gira do que eu me lembrava."

domingo, 25 de abril de 2010